Saúde do Coração: cuidado que não pode esperar

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São Paulo, 29 de setembro 2020 –  Hoje, 29 de setembro, é comemorado mundialmente o Dia do Coração. O objetivo da data é aumentar a conscientização sobre as doenças cardiovasculares, responsáveis por mais de 1,6 milhão de mortes anualmente nas Américas1. O coração é responsável por oxigenar o sangue e distribuí-lo por todo o corpo. Para isso, o órgão, que é do tamanho de um punho e composto de tecido muscular, bombeia o sangue por meio de uma série de impulsos elétricos que coordenam a contração de suas 4 câmaras do coração (duas superiores – átrios; e duas inferiores – ventrículos).2,3

Porém, em algumas pessoas esse sistema de impulsos elétricos não funciona bem, o que faz o coração bater muito rápido, muito lento ou irregularmente. Essas anormalidades são chamadas de arritmias e são classificadas em função de sua origem anatômica e da velocidade da frequência cardíaca que causa3

Entre as arritmias com maior número de complicações, estão a Fibrilação Atrial (FA) –identificada quando o coração bate aceleradamente de forma caótica e irregular na parte superior; e as taquicardias ventriculares (TV) – quando o coração bate aceleradamente de forma regular na parte inferior. Ambas são responsáveis pelo maior número de casos de parada cardíaca súbita, que, se não tratada de maneira adequada, pode levar ao óbito4.

A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia mais comum na população adulta, sendo considerada a nova epidemia do milênio com impactos econômicos e significante morbidade e mortalidade, tornando-se, assim, um grande desafio para a saúde pública. No mundo, estima-se que mais de 37 milhões de pessoas vivam com FA, um aumento de 33% nos últimos 20 anos5. Somente no Brasil, estima-se que a doença atinja 1,8% da população6, número que tende a aumentar 45% com a maior longevidade da população nos próximos 30 anos7.

A FA é o tipo de arritmia grave mais frequente em nosso país, onde 25% das pessoas que atingiram os 40 anos estão sob risco de desenvolvê-la8, sendo responsável por 30% dos acidentes vasculares cerebrais (AVC)9,10 enquanto a TV tende a ocorrer em pessoas que têm outras doenças cardíacas, como aquelas que já tiveram um ataque cardíaco anterior ou outras doenças cardíacas estruturais.11 

Alguns fatores podem causar ou desencadear estes dois tipos de arritmia, como a hipertensão, estresse, consumo excessivo de cafeína e álcool, abuso de drogas ilícitas, diabetes tipo 2, histórico familiar de doenças cardíacas, obesidade e sobrepeso12.

Quanto aos sintomas, cerca de 15 a 30% das pessoas com arritmias afirmam não senti-los13.  Quando sintomáticas, as pessoas acometidas de arritmia podem sentir: palpitação no peito, batimento cardíaco acelerado, batimento cardíaco lento, dor no peito, falta de ar, ansiedade, fadiga, tontura, sudorese e desmaios.12

O não tratamento pode levar a consequências graves, uma vez que a Fibrilação Atrial aumenta em cinco vezes o risco de insuficiência cardíaca e de acidente vascular cerebral e em duas vezes o risco de morte14,15. No Brasil, de acordo com o dados de 2018 publicados no DATASUS, houve 357.770 mortes por causas cardiovasculares, o que corresponde a aproximadamente 27 % de todas as mortes do país.16

Mas o que devo fazer se tiver algum sintoma?

É recomendável ao paciente agendar uma consulta - o mais rápido possível - com seu cardiologista ou ir diretamente a um pronto-socorro, de acordo com a gravidade do sintoma. O cardiologista responsável pelo atendimento deverá pedir exames para o diagnóstico de arritmia (eletrocardiograma e/ou ecocardiograma) e, a depender dos resultados, encaminhar o paciente ao eletrofisiologista.

Os eletrofisiologistas são cardiologistas especializados no sistema elétrico do coração e, portanto, são especialistas no tratamento de arritmias. O tratamento indicado pelo eletrofisiologista vai depender da natureza ou causa da arritmia, podendo começar com medidas gerais – como prática de exercícios físicos e mudança de dieta - passando pela prescrição de medicamentos e  chegando ao tratamento cirúrgico, como a ablação por cateter, um procedimento minimamente invasivo que utiliza ondas de radiofrequência ou outra energia para neutralizar as partes do sistema elétrico do coração que estão causando arritmias. 12, 17

De acordo com a diretriz da American Heart Association de 2019, a ablação por cateter é um dos tratamentos mais seguros e recomendados em relação ao tratamento medicamentoso18

A ablação por radiofrequência é realizada em sala de hemodinâmica e, dependendo da gravidade da arritmia, pode ser feita com um mapeamento 3D do coração que indica ao eletrofisiologista o local exato onde se encontra a arritmia, em tempo real, fornecendo a orientação necessária para que o médico aplique a energia através de um cateter, criando uma cicatriz chamada linha de ablação. Esta linha forma uma barreira que impede que sinais elétricos anormais se propaguem para o resto do coração e causem arritmias.

A ablação por radiofrequência realizada com cateteres de última geração, em conjunto com a utilização do sistema de mapeamento 3D do coração resulta em taxas de sucesso de curto prazo maiores ou iguais a 95%, e em longo prazo, entre 82 e 92%, contribuindo para uma potencial diminuição da taxa de mortalidade, bem como da taxa de hospitalização por insuficiência cardíaca.19,20,21

Para mais informações sobre Fibrilação Atrial, visite: https://www.tenhoarritmia.com/

 


REFERÊNCIAS ;

  1. Organización  Panamericana de la Salud, Día Mundial del Corazón, Consultado el 4 de septiembre 2020 desde: URL Link
  2. Centros para o Controle e Prevenção de Doenças. Como funciona o coração. Consultado em 3 de setembro de 2020: URL Link
  3. Mayo Clinic. Arritmia Cardiaca. Consultado 3 de setembro de 2020: URL Link
  4. Rodríguez-Reyes, H., et. Al. Muerte súbita cardiaca. Estratificación de riesgo, prevención y tratamiento. Consultado el 3 de septiembre 2020 desde: URL Link
  5. Lippi G, Sanchis-Gomar F, Cervellin G. Global epidemiology of atrial fibrillation: An increasing epidemic and public health challenge [published online ahead of print, 2020 Jan 19] [published correction appears in Int J Stroke. 2020 Jan 28;:1747493020905964]. Int J Stroke. 2020;1747493019897870. doi:10.1177/1747493019897870
  6. Marcolino MS, Palhares DM, Benjamin EJ, Ribeiro AL. Atrial fibrillation: prevalence in a large database of primary care patients in Brazil. Europace. 2015;17(12):1787-90.
  7. Chugh S, Havmoeller R, Narayanan K et al. Worldwide Epidemiology of Atrial Fibrillation. Circulation. 2014;129(8):837-847. doi:10.1161/circulationaha.113.005119
  8. Guía de Práctica Clínica SS-014-08, Diagnóstico e Tratamento da Fibrilação atrial. México: Secretaría de Salud, 2011.
  9. Kirchhof  P, BenussiS, Kotecha D, AhlssonA, AtarD et al. (2016)  2016 ESC Guidelines f or the management of  atrial fibrillation developed in collaboration with EACTS. Eur. Hear. J 37 (38): 2893-2962
  10. Zoni-Berisso M 2014 
  11. Mayo Clinic. Taquicardia Ventricular. Consultado el 3 de septiembre 2020 desde: URL Link
  12. Mayo Clinic. Arritmia Cardiaca. Consultado el 3 de septiembre 2020 desde: URL Link
  13. Rienstra M, Lubitz SA, Mahida S, Magnani JW, Fontes JD et al. (2012) Symptoms and functional status of patients with atrial fibrillation: state of the art and future research opportunities. Circulation 125 (23): 2933-2943.
  14. Iaizzo PA (2015). Handbook of Cardiac Anatomy, Physiology, and DeviceS. Springer Science+Business Media, LLC: Switzerland.
  15. C Heart Rhythm Society Atrial Fibrillation Fact Sheet.
  16. DATASUS TABNET Morbidade SIH disponível em: URL Link
  17. National Heart, Lung and Blood institute, Arritmias. Consultado el 3 de septiembre 2020   desde: URL Link  expert consensus statement on catheter and surgical ablation of atrial fibrillation.
  18. Kirchhof Bulava, A, et al. Catheter Ablation of Atrial Fibrillation Using Zero-Fluoroscopy Technique: A Randomized Trial. Pacing Clin Electrophysiology 2015. 
  19. Andrade JG, et al. Pulmonary Vein Isolation using "Contact Force" Ablation: The Effect on Dormant Conduction and Long-term Freedom from Recurrent AF. A Prospective Study. Heart Rhythm, 2014. 
  20. Marijon E, et al. Real-Time Contact Force Sensing for Pulmonary Vein Isolation in the Setting of Paroxysmal Atrial Fibrillation: 2014;39(3):193-200. 

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